Cinquenta sombras de nada


Na passada Quarta-feira, dia 15, fui ao cinema com um grupo de amigas (sim, ainda tenho dessas) ver o Fifty Shades Darker - Cinquenta Sombras Mais Negras para quem não gosta de inglês.

Fui ver porque sou uma rapariga que acha a cara (e, por consequência, tudo o resto) do Jamie Dornan muito agradável. Fui ver porque sou uma rapariga que não gosta particularmente da Dakota Johnson mas que tem uma crush muio saudável pela Rita Ora. E fui ver porque, apesar de me considerar alguém com muito bom gosto, li os três livros. Do início ao fim. Sem passar por cima das partes que fazem uma estrela pornográfica deitar as mãos à cabeça. E não tenho vergonha disso. Porque é que ler alguma coisa tem de ser sinónimo de gostar de alguma coisa? Tudo bem, percebo que é grande a persistência de alguém que não gosta de um livro e mesmo assim vai ler mais dois da mesma saga - mas foi a única maneira que encontrei de poder falar mal daquela desgraça de forma decente.

Sim, porque a grande maioria das pessoas critica os livros sem os ter lido; "é abuso!", "é estúpido, é rídiculo", "as descrições são nojentas". Pegam na meia dúzia de falas que encontraram na internet e tentam transformar isso num discurso coerente - não conseguem. Eu li os livros e posso, com toda a certeza, dizer que são a pior coisa que já li. E consigo criar um discurso verdadeiramente informado sobre as razões pelas quais aqueles livros são nada mais que um grandessíssimo monte de merda.

Mas voltando ao que importa, porque este não é um texto sobre os livros da E.L. James: fui ver o filme na semana passada. Acho que, para além das amigas que me acompanharam ao cinema, muito pouca gente sabia que eu ia ver este filme. E não, não é porque as pessoas não se preocupam muito com a minha vida (isso também...). É porque tenho de enfrentar um julgamento sempre que menciono que até gostei do primeiro filme e que por isso ia ver o segundo. Não, não gostei dos livros; isso não me impede de gostar dos filmes onde a relação de Christian e Anastasia é tratada de forma relativamente diferente. 

O filme tem as suas falhas (muito mais do que o primeiro); a falta de um verdadeiro enredo sente-se a cada minuto que passa na cadeira do cinema. Se no primeiro filme vimos o casal a conhecer-se, a iniciar uma relação e a descoberta de Anastasia das "diversões" de Christian, no segundo filme vemos... absolutamente nada. Vemos um casal que já está apaixonado e que já conhece os gostos um do outro a fazer sexo. Em cenas que até são ligeiramente menos explícitas do que no filme anterior. Vemos duas pessoas a ficarem noivas e um patrão creepy a tornar-se perseguidor. É isso. É literalmente só isso. Não é excelente, não é fantástico. Está muito, muito longe de ser algo que eu colocaria na minha lista de filmes favoritos. Mas entretem e é, geralmente, só isso que peço quando entro numa sala de cinema. Não acredito na teoria de que todos os filmes devem ser feitos a mirar a excelência. Alguns têm simplesmente de ser o que são: bons para ver uma vez e não lhes voltar a tocar.

A soundtrack continua a ser das coisas que o filme tem de melhor. Enquanto este não tem, claramente, nenhuma música digna de ser nomeada para um Óscar (como foi o caso de Earned it doThe Weeknd), continua a colocar as músicas certas nas alturas perfeitas - não só isso, mas as músicas fora do filme continuam a conseguir viver por si e muitas delas já fazem parte da minha playlist (Bom Bidi Bom do Nick Jonas & Nicki Minaj e Helium da Sia estão bem lá no topo).

Não há muito mais para contar. O primeiro filme não foi memorável, o segundo muito menos. Certas personagens apareciam e eu nem me lembrava de quem elas eram - isto é dramático para alguém que costuma lembrar-se de todos os pequenos detalhes de todos os filmes que já viu... e para quem já leu os livros, também. Não voltaria a ver de propósito, como faço tantas vezes com tantos outros filmes. Ainda assim, foi agradável durante as quase duas horas que durou. É incrivelmente não abusivo, como os SJWs gostam tanto de gritar aos sete ventos. Christian só dá aquilo que Anastasia pede (lembre-se, estou a falar dos filmes) e Anastasia só pede aquilo que quer. Se aquilo que ela quer é umas belas palmadas, por muito pouco ortodoxo que isso seja, a vida é dela. O corpo, também. Parem mas é de ser politicamente correctos e deixem a rapariga viver. É só um filme

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