Burro novo não aprende línguas


De todos os defeitos que já disse ter, de todos os segredos que já partilhei com os cerca de dois leitores deste blogue, quero acreditar que aquele sobre o qual vos vou falar hoje é o mais fácil de assumir: gosto de homens mais velhos.


E quando falo em homens mais velhos não estou a falar de eu, com 21 anos, gostar do Liam Hemsworth, com 27 (e gosto. Mas não é disso que quero falar.). Não, estou a falar de eu, com 21 anos, gostar do Robert Downey Jr., com 51. E mais dramático do que isto, toda a vida fui assim. Até aquelas pequenas paixonetas da escola primária e da secundária sempre foram por rapazes que eram mais velhos que eu. Verdade seja dita, isso sempre me trouxe mais problemas do que felicidade. E agora, com 21 anos, não percebo o que eu, com 14, via nos rapazes de 20. Porque agora, com 21, acho esses rapazes imaturos. Pouco inteligentes, pouco sérios.

Mas voltando ao que interessa - gosto de homens mais velhos. Não há coisa que me agrade mais que uma boa quantidade de charme e uns cabelos bem brancos. Porquê? Pois. É difícil explicar porque é que prefiro estes traços físicos a outros; porque é que fico doidinha quando vejo uma farta cabeleira grisalha em vez de ficar maluquinha com uns cabelos loiros ou porque é que perco controlo da minha baba quando um ser do sexo oposto se ri e fica com umas rugas adoráveis nos cantos dos olhos em vez de me babar quando vejo pele lisa e impecável. Gosto e pronto. Algures durante o meu crescimento, as minhas hormonas decidiram "hey, Marta, é isto que vai deixar o teu coração a palpitar". Podiam ter decidido qualquer outra coisa, decidiram isto.

E é chato, não vou mentir, sentir-me atraída por pessoas que estão muitas vezes mais perto da idade da minha mãe do que da minha - é particularmente chato quando eu, Marta, de 21 anos, tenho ainda uma cara de adolescente mal dormida, ao ponto de as pessoas quererem ver o meu bilhete de identidade quando me apresento toda altiva às portas do cinema para ir ver o Cinquenta Sombras de Grey (um filme para maiores de 16). E daí vêm muitos dos meus dissabores; são poucos os homens que olham para além da minha aparência juvenil, que é particularmente acentuada pelas minhas camisolas de Harry Potter e Marvel . Tenho 21 anos e não me preocupo o suficiente com aparências para comprar camisolas decotadas e brutas mini-saias ou maquilhagem que disfarce esta cara que já não tem remédio.  Nunca me preocupei e sempre achei que, bem, homem que goste de mim tem de gostar da minha pouca vontade de me maquilhar e das minhas camisolas do Star Wars. E portanto fico eternamente a olhar para homens que estão muito acima da minha liga, mas ao menos divirto-me. 

A outra coisa de que queria falar não está relacionada com a minha aparência física nem com a deles. Mais do que qualquer traço físico que um homem com dez anos a mais que eu possa apresentar, o que realmente deixa o meu estômago cheio de borboletas é uma massa cinzenta bem musculada. Isso. Inteligência, coisa tão rara naqueles rapazes que eu via as minhas amigas namomorarem na escola secundária. "Ai, Marta, o Pedro é tão lindo", dizia a Maria. "Maria, o Pedro não sabe o que é o vocativo." "Marta, ele não sabe isso mas sabe o nome de todos os jogadores do Sporting!" "OK, Maria..." 

Tudo bem, não quero generalizar e dizer que todos os rapazes novos são burros e que todos os homens mais velhos são inteligentes. Não seria verdade. O que quero dizer é que, independentemente da inteligência que possuem, os homens mais velhos têm uma atitude que compensa um possível conhecimento mais condicionado da realidade. Pronto, em resumo é isso: o que me agrada mesmo nos homens mais velhos é a atitude. Nada é mais sexy do que aquele andar confiante de "já vi muito, já vivi muito e estou aqui, vencedor". Homens mais velhos ensinam a viver a vida de maneiras diferentes, umas vezes mais sérias, outras vezes nada sérias de todo. Homens mais velhos são interessantes e não, não o são porque se parecem com o meu pai e eu tenho uma necessidade profunda de ser protegida e acompanhada por um "pai" e não por um "namorado" - homens mais velhos são mais interessantes porque me vêm falar em cinema e política e economia e literatura e desporto e sexo e arte e música em vez de se sentarem, de se acomodarem e dizerem "oi, sou o Pedro, gosto de futebol e de gajas".

Homens mais velhos têm muitas histórias para contar; e se, por alguma razão, se mostrarem interessados em contar-mas, a mim, a uma rapariga de 21 anos que lê banda desenhada aos fins-de-semana, então eu certamente irei ouvi-las.

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