Guerra das Crushes



Tive a minha primeira celebrity crush com dez anos. E ele estava em todo o lado. Não me lembro muito bem porquê, mas sei que estava. Tenho memórias claras (e logo eu, que sou péssima com essas) de visitas à casa da minha madrinha em que eu ficava vidrada a ouvir o telejornal da TVI (isto não é patrocinado, é apenas a mais pura das verdades) só porque sabia que iam falar nele. E depois desligavam a televisão ou obrigavam-me a prestar atenção a alguma coisa que não aquilo e lá ficava eu deprimida.

Não sei se já têm interesse ou não por esta altura em saber quem era a tal pessoa, mas, como isto é o meu blogue e eu faço o que eu quiser, aqui fica: era o Tom Cruise. Certo, admito que não seja a crush mais indicada para se ter aos dez anos, mas têm de perceber que o facto de eu ser meio apanhada da cabeça já vem de há muito tempo, não é uma coisa de agora. Portanto, oficialmente, e para todos os efeitos, o Tom Cruise foi a minha crush de infância. Se perdurou ou não para os meus anos de adulta, isso já é toda uma outra questão que, muito possivelmente, daria material para mais um milhão de textos (spoiler alert: continuo enamorada dele. É uma vida triste, esta que levo.).

Mas voltando atrás: a minha crush pelo Tom Cruise apareceu quando eu tinha dez anos. Tinha acabado de sair a Missão Impossível III (só para verem há quanto tempo isto já foi; entretanto, já saíram mais quinhentos filmes desta fasquia) e ele tinha acabado de se casar com a Katie Holmes. O Tom Cruise era, por esta altura, um homem respeitado e respeitável. Ou, pelo menos, a televisão fazia dele isso. O filme Top Gun dava todos os fins-de-semana na televisão, mas eu não via porque tinha cenas que eram "só para adultos". (Na verdade via, mas depois escondia a cara durante essas cenas, só para disfarçar.)

Portanto, posso dizer que o meu amor pelo Tom Cruise, quando eu tinha dez anos, era um bocado indestrutível. Porque ele era, de acordo com o meu eu da altura, literalmente perfeito. Decorei o aniversário dele. Acho que tenho algures alguns diários onde falo dele on repeat. Falo dele e da vida dele e da Katie Holmes e da Nicole Kidman e do quão vergonhoso era aquele rumorzinho que circulou durante uns anos a dizer que ele era homossexual. (Sim, aparentemente, eu, com dez anos, ficava altamente revoltada com rumores destes.)

Mas estamos no quinto parágrafo do meu texto e toda a informação que vos passei é que provavelmente conseguiria passar num quiz sobre a vida e filmografia do Tom Cruise com uma nota excelente. Agora perguntam-se vossas excelências: afinal, o que é que ela queria contar com este post gigante?

Queria contar isto mesmo. Que, quando tinha dez anos, tive uma crush pelo Tom Cruise. E que, agora, prestes a fazer vinte e um, continuo a ter uma crush pelo Tom Cruise. Apercebi-me disto ontem quando estava a ver a Missão Impossível: Operação Fantasma. Apercebi-me disto quando fui ver o Jack Reacher: Never Go Back e amei o filme, mesmo quando todos os críticos o odiaram. Apercebi-me disto quando andei aos gritos pela casa depois de ver o trailer do The Mummy. E isto, geralmente, não seria motivo para um texto deste tamanho. Mas gosto mesmo muito do Tom Cruise – sempre gostei, claramente – e conheço pouca gente que partilhe este amor. Na verdade, preferia bem mais ser fã dele quando tinha dez anos; não sabia o que eram memes nem o que era a cientologia nem lia artigos (escritos em jornais, diga-se) sobre todo o processo de selecção da futura mulher dele. Era tudo bem mais fácil quando eu tinha dez anos. As pessoas não me julgavam quando eu dizia “gosto do Tom Cruise”. Nem sei se sabia dizer bem o nome dele, na verdade. Mas não importa -  as pessoas achavam-me fofa. Agora acham-me louca. “Gostas do Tom Cruise? Mas ele fez X e disse Y!”

Pois fez. Pois disse. Mas é a minha crush de infãncia…

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